Guia · Dev com IA · 6 min
Como criar um agente de IA do zero: o guia do operador
Como criar um agente de IA do zero, na prática: a diferença entre chatbot e agente, as peças (tools, memória, contexto), a arquitetura e os erros que quebram em produção.
Fabian Martinelli · 18 de junho de 2026 · agentes de IA, desenvolvimento, Claude
A palavra "agente" virou marketing. Quase tudo que se vende como agente é um chatbot com nome bonito. A diferença importa, porque um chatbot responde e um agente age: ele decide, usa ferramentas, executa passos e entrega um resultado.
Este guia é pra quem constrói. Mostra o que de fato compõe um agente, como montar a arquitetura, e onde eles costumam quebrar quando saem da demo e encaram a produção. É o que eu aplico construindo na FM Solutions e em colaborações técnicas.
A ideia em 1 minuto
Um agente de IA é um modelo de linguagem com três coisas que um chatbot não tem: ferramentas pra agir no mundo, memória pra não recomeçar do zero, e um laço de decisão que escolhe o próximo passo até cumprir o objetivo.
A forma mais simples de enxergar:
- Chatbot: você pergunta, ele responde. Fim.
- Agente: você dá um objetivo, ele planeja, chama ferramentas (buscar dado, criar registro, enviar mensagem), avalia o resultado e repete até terminar.
A peça que transforma um no outro são as tools (ferramentas que o modelo pode chamar) e o laço (deixar o modelo decidir e agir mais de uma vez). Se você só faz uma chamada e mostra o texto, é chatbot. Se o modelo chama funções e itera, é agente.
As peças de um agente
Antes de codar, entenda o que precisa existir. Um agente de produção tem cinco componentes.
O modelo (o cérebro)
O LLM que raciocina e decide. Use o mais capaz que couber no seu custo para as decisões difíceis, e um mais barato para tarefas simples. Misturar modelos por tarefa é o que mantém a conta sob controle.
As tools (as mãos)
Funções que o modelo pode chamar: consultar o banco, criar um pedido, enviar um e-mail, buscar na web. Cada tool tem um nome, uma descrição e parâmetros. A qualidade da descrição decide se o modelo usa a ferramenta certa.
A memória (o histórico)
Curto prazo (a conversa atual) e longo prazo (o que ele aprendeu sobre o usuário e o negócio). Sem memória, o agente reexplica tudo a cada interação e parece amnésico.
O contexto (quem ele é)
As instruções de sistema: o papel, as regras, o que nunca fazer, o tom. É o que alinha o comportamento ao seu negócio.
O laço de controle (a vontade)
A lógica que deixa o modelo agir, ver o resultado e decidir o próximo passo, com um limite de iterações pra não rodar pra sempre.
A arquitetura mínima que funciona
Não precisa de framework gigante pra começar. O laço de um agente cabe em poucas linhas de pseudocódigo, e entender isso evita que você se perca em abstração.
objetivo = "qualificar este lead e agendar uma call"
historico = [instrucoes_de_sistema, objetivo]
repita ate concluir ou atingir limite:
resposta = modelo(historico, tools_disponiveis)
se resposta pede pra usar uma tool:
resultado = executa_tool(resposta.tool, resposta.args)
historico.adiciona(resultado)
senao:
retorna resposta # o agente terminou
É isso. O modelo olha o histórico e as ferramentas, decide se age ou responde, você executa a ferramenta e devolve o resultado pro histórico, e repete. Toda a "inteligência" do agente está em dar boas ferramentas e bom contexto, não em código esperto.
Tools: onde os agentes ganham ou perdem
A diferença entre um agente que funciona e um que alucina está quase toda nas ferramentas. Três regras que mudam o jogo.
Descreva a tool como se explicasse pra um estagiário
O modelo escolhe a ferramenta pela descrição. "busca_cliente: encontra um cliente pelo email ou telefone, retorna nome, histórico e status" funciona. "busca_cliente: busca cliente" não.
Valide a entrada e a saída
O modelo às vezes manda parâmetro errado. Valide antes de executar e devolva um erro claro que ele consiga corrigir, em vez de quebrar.
Dê poucas ferramentas boas, não muitas
Vinte ferramentas confundem o modelo. Comece com as 3 ou 4 essenciais pro objetivo. Você adiciona conforme a necessidade real aparece.
Onde os agentes quebram em produção
A demo sempre funciona. A produção é que separa o brinquedo do produto. Estes são os pontos de falha mais comuns.
| Falha | Como evitar |
|---|---|
| Laço infinito | Limite de iterações e um caminho de saída claro |
| Alucina dado | Forçar o uso de tool pra qualquer fato, nunca confiar na memória do modelo |
| Custo explode | Modelo mais barato nas tarefas simples, histórico enxuto |
| Age sem permissão | Confirmação humana nas ações sensíveis (pagar, deletar, enviar) |
Observabilidade: você não pode consertar o que não vê
Agente em produção sem log é uma caixa preta. Registre cada decisão: qual tool foi chamada, com quais argumentos, qual resultado voltou. Quando algo der errado (e vai dar), você lê o rastro e entende onde a decisão furou, em vez de adivinhar.
Um roteiro de 4 passos pra sua primeira versão
Escolha um objetivo estreito
Não "um agente que faz tudo". Algo como "qualificar lead e agendar". Estreito é o que você consegue terminar e medir.
Liste as 3 tools que esse objetivo exige
Pro exemplo: buscar cliente, checar agenda, criar agendamento. Só isso.
Escreva o contexto e monte o laço na mão
Instruções de sistema claras + o laço simples lá de cima. Rode no terminal antes de pensar em interface.
Teste com casos reais e adicione guarda-corpos
Jogue conversas de verdade, veja onde quebra, e adicione validação, limite e confirmação humana onde for sensível.
Construir é uma coisa. Colocar pra rodar no negócio é outra
Montar o agente é a parte divertida. O que costuma travar é integrar com os sistemas reais da empresa (WhatsApp, banco de dados, agenda) e mantê-lo confiável em produção. É exatamente o tipo de trabalho que a FM Solutions faz em projetos sob medida e advisory técnico.
Se você tem um projeto de agente em mente e quer acelerar a parte difícil, a FM Solutions faz um diagnóstico gratuito.
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