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Template · IA na Prática · 6 min

Checklist de avaliação de call B2B: os 6 critérios que tiram o achismo do coaching comercial

A ficha de 6 critérios, com nota de 0 a 2 cada, que transforma 'a call foi boa' em número. Serve pra revisar reunião na mão e pra definir o que a sua IA deve pontuar em cada conversa gravada.

6 critérios, nota de 0 a 2 em cada um, 12 pontos no total: abertura, diagnóstico, escuta, objeções, proposta e próximo passo. Some no fim: 0-5 o roteiro está quebrado, 6-9 é caso de coaching, 10-12 vira playbook. Use a mesma ficha pro humano e pra IA, senão os dois medem coisas diferentes.

Fabian Martinelli · 17 de setembro de 2026 · Comercial, Coaching, IA na prática, B2B

Checklist de avaliação de call B2B com seis critérios e nota de 0 a 2
A ficha imprimível. O PDF está no fim desta página.

Pergunte a um gestor comercial como foi a call do vendedor ontem e a resposta quase sempre vem em adjetivo: foi boa, foi morna, o cliente pareceu interessado. Pergunte de novo uma semana depois e o adjetivo mudou, porque ninguém anotou nada.

O problema não é falta de atenção. É que "boa" não é uma medida. Duas pessoas ouvindo a mesma gravação discordam sobre o que deu certo, e o vendedor recebe feedback diferente a cada semana dependendo do humor de quem escutou.

Uma ficha de avaliação resolve isso em uma folha. Não porque vira ciência, mas porque obriga todo mundo a olhar para as mesmas seis coisas, na mesma ordem, com a mesma escala.

A escala, antes dos critérios

Três notas bastam. Escala de 1 a 10 dá a ilusão de precisão e faz todo mundo dar 7.

  • 0 — não aconteceu
  • 1 — aconteceu de forma incompleta ou fora de hora
  • 2 — aconteceu bem, e dá pra apontar o momento na gravação

A terceira parte importa: se você não consegue dizer em que minuto aconteceu, não é 2.

Os 6 critérios

  1. Abertura

    Contextualizou a conversa e ganhou permissão para avançar?

    A call que começa com "então, me conta um pouco da empresa" já perdeu o controle. Abertura boa diz por que aquela conversa está acontecendo, quanto tempo vai durar e o que a pessoa leva dali, e só então pergunta se pode seguir.

  2. Diagnóstico

    Fez perguntas que revelam dor, impacto e prioridade?

    As três coisas, não uma. Dor sem impacto vira conversa interessante que não fecha. Impacto sem prioridade vira proposta que dorme três meses no e-mail de alguém.

  3. Escuta

    Deixou o cliente falar e validou o que entendeu?

    O sinal mais honesto aqui é o relógio: em call de diagnóstico, quem fala mais tempo deveria ser o cliente. E validar é repetir com as suas palavras e perguntar se está certo, não dizer "entendi, perfeito".

  4. Objeções

    Investigou a causa da objeção antes de responder?

    "Está caro" pode ser orçamento, pode ser prioridade, pode ser que a pessoa não viu valor, pode ser que ela não decide sozinha. Responder antes de descobrir qual é significa responder três das quatro vezes a pergunta errada.

  5. Proposta

    Conectou a solução às dores percebidas na conversa?

    A proposta genérica é a que poderia ter sido enviada antes da call. Se nada do que o cliente falou aparece nela, o diagnóstico foi decoração.

  6. Próximo passo

    Definiu data, responsável e objetivo da próxima ação?

    Os três juntos. "Te mando por e-mail e a gente se fala" não é próximo passo, é fim de conversa educado.

O que fazer com o número

Some os seis critérios. O total vai de 0 a 12, e cada faixa pede uma ação diferente.

TotalLeituraO que fazer
0 a 5O problema é de roteiro, não de pessoaRevisar a estrutura da call com o time inteiro. Quando a nota é baixa em várias pessoas, o roteiro é o culpado
6 a 9A estrutura existe, a execução falhaCoaching individual no critério mais fraco. Um por vez, não os seis
10 a 12Essa call é material de treinamentoRegistrar no playbook, marcar o trecho e usar como referência

A faixa de 10 a 12 é a mais desperdiçada. Time comercial guarda gravação de call ruim pra corrigir e joga fora a call boa, que é justamente a que ensina.

Quando a IA entra

A ficha funciona na mão. O problema é escala: um gestor com seis vendedores e cinco calls por dia cada não ouve 30 gravações por dia, e por isso ouve três por mês, sempre das mesmas pessoas.

É aí que a IA muda a conta. A gravação vira transcrição, a transcrição é pontuada nos mesmos seis critérios, e o gestor recebe a nota de todas as calls em vez de uma amostra escolhida por acaso.

  1. Use a mesma ficha

    O erro mais comum é deixar a IA inventar os próprios critérios. Aí o número dela não conversa com o do gestor, e ninguém confia em nenhum dos dois. A ficha é a mesma, e a escala é a mesma.

  2. Exija a citação

    Nota sem trecho da transcrição que a justifique não vale. Isso serve tanto pra você conferir quanto pra usar o trecho no coaching depois.

  3. Calibre com dez calls

    Pontue dez gravações na mão e compare com o que a IA deu. Onde divergir muito, o critério está mal descrito, não a IA está errada. Ajuste o texto do critério e rode de novo.

  4. Revise a amostra toda semana

    Mesmo com a IA rodando, alguém precisa ouvir algumas calls inteiras por semana. Sem isso, o sistema começa a pontuar bem conversas que na prática não avançam.

O checklist em PDF

A ficha de uma página, pronta pra imprimir ou preencher na tela, com os seis critérios, a escala e o total.

Baixar o checklist em PDF

O próximo passo

Escolha três calls desta semana, sendo pelo menos uma que fechou, e passe a ficha nas três. O número em si importa menos que a conversa que ele destrava na segunda-feira: em vez de "precisa melhorar o fechamento", você tem "nas três calls, o próximo passo saiu sem data".

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